quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Desigual[ci]dade


Relato de um dia (aparentemente) comum.

Acordar, tomar café, tomar banho... enfim começar o dia (mesmo que tarde).

Sair para resolver assuntos de interesse pessoal - me parece que o lado "estudioso" e interessado de quem vos escreve tem se fortalecido nos últimos dias- e ter a sorte de encontrar pessoas que não via há tempos, além de alguém que vi ontem, mas também não via há tempos antes disso.

Tomar algumas cervejas, bater papo, ter ideias em conjunto com pessoas que tem a arte correndo forte nas veias (isso numa terça-feira à tarde, meio vadio, mas confesso que me satisfaz mais do ficar trancado num escritório), visitar exposições, assistir à uma peça, perceber o potencial criativo de quem está perto.

Momentos daqueles onde se percebe que a parte boa da vida é feita de relacionamentos construídos...


A noite já caiu há algumas horas e, com uma fina garoa, é chegada a hora de voltar pra casa.

Desço no ponto final, caminho pelo centro da cidade... e é aí que vem uma certa estranheza.


Como o centro da maior cidade da América Latina pode ser tão controverso?

Durante o dia, multidões, correria e a "locomotiva do Brasil" à pleno vapor. À noite, ruas vazias, onde somente os moradores dessas frias ruas se fazem presentes.

A única melodia que se ouve sai de algumas caixas de som, localizadas em um ou outro bar.

Achei que a "cidade que não dorme" estava quieta demais.

Senti aquele vazio da cidade como se fosse meu, como se a ocupação daqueles espaços dependesse de mim e de outros tantos habitantes dessa cidade imensa.


Chegando ao próximo terminal de ônibus, paro para comer algo e me deparo, mais uma vez, com mais uma cena típica da cidade, dessas que mescla desigualdade, necessidade e talvez, até mesmo, uma boa dose de interpretação.

"Amigo, será que você poderia me pagar um salgado. Não quero dinheiro, não é isso que peço, tô com fome mesmo"

Dar dinheiro não é mesmo do meu feitio, não consigo confiar em quase ninguém ultimamente. Mas diante do fato de saber que o pedido era de comida... a fome dessa pessoa pode ter sido amenizada com um salgado.

Desigual(ci)dade...


Esse acontecimento fez com que o ônibus partisse... esperei o próximo, sem ressentimentos, tem outro chegando logo por ai.


Embarquei no próximo ônibus, que se colocou em movimento rapidamente.


Durante esse trajeto, olhei para o céu e percebi que não era o único a observar os acontecimentos, ao contrário, eu também era observado.

A Lua estava lá, ora se escondendo entre nuvens, talvez para se omitir, como muitas vezes fazemos... ora aparecendo para observar todas essas controvérsias.


Diante desse dia, me perguntei...

Será que não é hora de tomar a cidade como nossa, ocupar os espaços vazios, tanto com a presença física quanto a presença do que temos à oferecer...

Arte, cultura, lazer... ou qualquer entretenimento que torne essa cidade mais viva, mais dinâmica e menos fria?

13 comentários:

Tata Serrano disse...

Que post munito careca ^^!
Com ctz seria lindo ver essa cidade mais viva! Podemos tentar, pq não?!

Amo-te!

Maria Carolina disse...

Uau. *-* Muito diferete do que vc normalmente costuma escrever, esse texto é meio bucólico e meio reflexivo. É...você teve seu melhor momento epifânico,amor. E soube usar muito bem disso.
A vontade de mudar as coisas é que gira o mundo, então façamos rodar a cidade!

Gigante disse...

Sensacional...como a Maria disse, diferente do seu estilo de escrever, mas é sempre bom esses momentos de observação e reflexão do que acontece ao nosso redor enquanto "não estamos presente"...façamo-nos presentes! abraço!

Ana Carolina disse...

Adoro passar aqui e ler você: cada palavra, cada detalhe descrito, a forma na qual você se coloca nas situações e se entrega ao que escreve, formam um conjunto sensacional!!
Parabéns, menino do sorriso lindo!
Rs!

Path! disse...

-Pq eu me inspirei na suas brincadeiras com as palavras...e brinquei um pouquinho tbm.

http://paathmaioneese.blogspot.com/2009/12/brincando-decom-verdade.html

[texto bacana...reflexivo...]

;D

Beijooo

Barbarela disse...

amei MUITO esse post!

textos críticos são os melhores, adooro!!

Parabéns Weber..
já disse que adoro seus textos né?! ;)

beijOs'

Giane disse...

Mesmo uma grande metrópole como São Paulo tem seus momentos de quietude.
E observá-los é privilégio de poucos.

Beijos mil, Weber!!!

Carol Mioni disse...

E av. São João...

é muito bom enxergar com os olhos do observador, e muito melhor se deixar ser observado, é capacidade de poucos, e um presentão.

Saudades!

Nani - Mariane Magossi disse...

É mais ou menos, que se vê aqui em Americana, ou talvez em outras cidades...
É interessante esse contraste, dia e noite!

Bem legal o texto Weber. =)

Clara disse...

Temos que tomar não só a cidade, mas também o mundo.
Não é somente aqui que vemos uma desigualdade extrema, pessoas que sentem fome, frio, medo... entre outros sentimentos que nós não gostamos, Mas ainda assim insistem em bater na nossa porta, muitas vezes ignoramos apelos mas concordo com você, não dou dinheiro, mas dou um prato de comida, um sorriso, atenção, as vezes as pessoas só precisam de um minuto do nosso tempo para se sentirem bem.

Parabens pelo texto.

Lilo disse...

Muito reflexivo seu texto, cara.
Ultimamente me pego num desses momentos (principalmente os últimos do texto), às vezes até com mais frequência do que eu gostaria...

Flora disse...

Desigualdade é um fato.
Momentos vazios, são cada vez mais normais.
Mundo, atualidade, sociedade cada vez mais acostumada com solidão.
Enfim.

Mah disse...

Viajei demais lendo esse post! Serio, consegui imaginar todas as cenas e fiquei fascinada! Parabens pela escrita, sinceramente, parabens!