sábado, 27 de fevereiro de 2010

[Re] Feitoria

Texto entregue como trabalho de LTT (Linguagem, Trabalho e Tecnologia)
ETEC Carlos de Campos


Uma escola.

Pode haver melhor lugar para se encontrarem diferentes pessoas, personalidades, sentimentos e afinidades?

É um ambiente propício para se criarem laços que duram anos, meses ou mesmo alguns dias, mas que são suficientemente fortes para serem lembrados por toda uma vida.
Foi no refeitório da escola que a vida proporcionou o encontro de Felipa, Maria Fernanda e Coralina.
Sentadas à mesma mesa contavam suas historias, compartilhavam sonhos, tentava esclarecer dúvidas e entender “como a vida funcionava”.

Felipa, filha de um militar e uma enfermeira, vivia com a avó materna. Durante as longas ausências dos pais, causadas pelas missões internacionais para as quais eram convocados, era a avó que zelava pela educação da neta.
Nas conversas com as colegas, Felipa sempre demonstrava interesse por questões sociais e políticas, com afinidade especial aos assuntos relacionados às guerras e suas conseqüências. Seu desejo mais forte era que a diplomacia tivesse mais força que a violência, para que famílias não fossem separadas, fosse pela obrigação de “defender a Pátria” ou pela desventura de baixas civis nos confrontos.

Maria Fernanda, a menina abastada, relatava o que havia visto em suas viagens pelo mundo, que aconteciam em companhia de sua tutora que, desde a partida de seu pai, era a mais fiel amiga.
Mafê -como era chamada entre as colegas- espelhando-se em sua tutora, tinha especial interesse por assistência à pessoas em situação de risco. Sempre que possível, visitava abrigos e comunidades menos favorecidas, se valendo de seus recursos financeiros para auxiliar na alimentação, vestuário e formação dos moradores destes locais.

Sentada entre as duas colegas, estava Coralina. Menina de família humildade, filha de operários da fábrica de papel da cidade.
A diversão de Coralina se dava quando os pais lhe traziam pedaços de papéis coloridos, onde ela escrevia, com um lápis já apontado pela metade, as impressões que tinha sobre o mundo que a cercava.
Durante os encontros no refeitório, Coralina criava histórias baseadas nos relatos das colegas. Sonhos, medos, o dia-a-dia, tudo era registrado nos papéis da garota.
Era a que menos se manifestava. Não falava muito sobre seus sonhos e planos, mas as colegas imaginavam que gostaria de ser escritora.

Após muitas tardes de confissões, sonhos e momentos compartilhados, o fim do ano letivo chegou e as garotas imaginaram que o refeitório não seria mais o ponto de encontro para aquela amizade, que rendeu tantos papéis coloridos pelas mãos de Coralina.
Sabendo que uma seguiria um caminho, despediram-se e desejaram, reciprocamente, que um dia pudessem se reencontrar.
Enfrentaram, cada uma à sua maneira, os desafios e medos, viveram sonhos e alegrias, “descobriram o que era a vida”, como pressentiram, curiosa e simultaneamente, seus pais e tutores.

Era inverno e na cidade natal das garotas, há tanto tempo “deixada para trás”, acontecia um seminário sobre causas sociais, com participação de diversos setores da sociedade.
No momento de pausa das atividades, no refeitório o destino se encarregou, de reunir, mais uma vez, Felipa, Embaixadora pela Paz, e Maria Fernanda, Secretária da Juventude, que receberam, poucos instantes depois, menções honrosas pela atuação em favor dos necessitados.

A mediadora do seminário, responsável pela entrega das homenagens, foi a jornalista Coralina, que escreve esta matéria e a encerra desejando que as atitudes pela paz sejam sempre mais noticiadas que os fatos de violência.

3 comentários:

Mαri disse...

apenas para dizer q li o post!! =D

Lili disse...

Muito bonitinho o post! Não abandone o blog, seus textos merecem ser lidos ;)

Giane disse...

Você escreve bem, Menino.
Escreva mais e poste aqui sempre que puder.

Beijos mil!!!